17 de outubro de 2008


Não acredite nos comerciais de previdência que mostram velhinhos felizes correndo na chuva. Confie menos ainda naqueles das financeiras onde senhorinhas de setenta anos sorriem e dizem que a terceira idade é a melhor fase da vida. É tudo muito bonito de se ver e, principalmente, é no que todo mundo quer acreditar. Mas a verdade é que a vida não é o filme Cocoon e ninguém gosta de ser velho.

Posso estar um pouco longe da fase das bengalas e dentaduras - espero, aliás, nem ter que usá-las -, mas eu convivo com gente velha dia e noite e é o laboratório que preciso pra afirmar que quero morrer antes dos 60.

Pra começar, rugas não são sinal de experiência. São só a prova de que você franziu demais seu rosto, pegou sol demais e perdeu muito, mas muito colágeno. Quem as tem, quer mesmo é deixá-las na lixeira de algum cirurgião plástico.

Aí você deve estar pensando: mas e toda a vivência, não conta? Bem, me diga de que adianta tanta experiência se a vista, a fala e a audição falham fazendo a comunicação tão difícil, tão lenta e tão dolorosa. De que adianta o espírito jovem se a artrose ataca, a coluna enverga e o equilíbrio some?

A velhice só é bacana mesmo nos textos de Power Point que os amigos malas insistem em mandar pra gente. Minha avó passa o dia sentada no sofá da sala sentindo falta do tempo que andava, namorava e dava aulas. Meu avô, em seu segundo marca-passo, pensa que tem 20 anos e agora resolveu aprontar por aí, numa espécie de despedida das delícias.

A terceira idade é a última e não deve ser fácil lembrar disso todo dia. Essa é a realidade que nenhum comercial bonitinho mostra. Por isso, se eu posso te dar uma dica, é essa: beije seu velhinho hoje, converse com ele. Faça-o esquecer por alguns minutos que existe um fim da linha. Não seja um desses jovens idiotas e egoístas que não podem perder um segundo do seu tempo.

4 comentários:

João Paulo Guimarães disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
João Paulo Guimarães disse...

Esse texto é o oposto do Filtro Solar. Gostei demais. Visite meu Blog amiga. Vamos trocar idéias.

Jazz disse...

oh que lindo... adorei esse post! Deu medo da velhice. Fiquei curiosa do delete do comentário anterior :)

Eu quero ser ume velhinha enxuta mas creio que vou ser uma daquelas com ossos frágeis (baixinha, branca com historia familiar de osteoporose: já é!) e artrites.

O importante é ser feliz agora e não diar isos para quando casar, quando tiver filhos ou quando se aposentar.

Carpe Diem com responsabilidade de um jovem, porque ser jovem aos mais de setenta é um tanto ridículo, assim como ser velho aos vinte e muitos.

Beijos, querida.

PS: faltam 22 dias!

Karla Nazareth disse...

Lembro de ti falando isso. Me bate uma angustia lembrar dessa realidade e dos meus velhinhos longe de mim...