31 de dezembro de 2009

Como toda redatora que se preze, passei o ano buscando as melhores ideias, as melhores palavras e, acima de tudo, conjugando muitos verbos diferentes.
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Eu comecei em um novo emprego.
Eu acabei uma especialização.
E também acabei com velhas dívidas.
Eu ganhei um salário maior.
Depois ganhei um salário menor.
Eu perdi a barriga.
Eu viajei pra Fortaleza.
Eu terminei de pagar o carro.
Eu comprei um som bacana pra ele.
Eu fiz freelas interessantes.
Eu conheci gente.
Eu entrei em projetos.
Eu saí de projetos.
Eu ajudei cachorrinhos.
Eu sofri com o sofrimento da minha avó.
Eu amei.
Eu namorei.
Eu comecei a pensar em um negócio.
Eu comecei um negócio.
Eu economizei.
Eu me estressei.
Eu briguei.
Eu magoei.
Eu encontrei pessoas que não via há tempos.
Eu recebi 4 propostas de emprego.
Eu assisti filmes bons.
Eu li novos livros.
Eu tentei.
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E que em 2010 muita coisa se resolva e eu contiue assim, conjugando muitos e muitos verbos. Porque eles representam movimento, atitude, emoção. E sem isso a vida é só algum filme monótono do Woody Allen. .

9 de dezembro de 2009

Segunda-feira, dia 7 de dezembro, foi um grande dia. Um grande dia pra minha mãe, que foi toda linda e brilhante comemorar os 35 anos de formada em medicina.
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A verdade é que eu nem queria tanto ir. Seja porque eu não conhecia ninguém ou porque provavelmente ia ser a mais nova da festa.


Além disso, a última dessas festinhas que eu tinha ido já fazia 10 anos. Na época, os filhos dos alunos daquela turma de 1969 ainda eram todos jovens como eu, que tinha 20 anos. Lembro que foi constrangedor ficar na “mesa dos jovens” e que quase mato a mamãe por ter me jogado lá.


Mesmo com essas lembranças ruins, não sei porque cargas d'água resolvi me empolgar para ir. Comprei vestido e sapato novo e também fui toda linda. Fiquei caladinha a maioria do tempo, tentando adivinhar como aqueles senhores e senhoras eram na época da faculdade.


De vez em quando a mamãe chegava e dizia baixinho “aquele ali sobrevivia vendendo apostilas”, “aquele fingiu que era adventista pra morar em um albergue que só aceitava gente dessa religião”. Eram muitas e muitas histórias naquele salão e por um momento eu achei poética essa coisa toda de envelhecer e ter o que contar, o que lembrar.


O cerimonial teve sorteio de presentes generosos, teve o listão dos aprovados lido ao som de “alô papai, alô mamãe”, teve um médico chato falando que lançou um livro chato. Sem dúvida a melhor parte foi a música.


A banda teve o cuidado de tocar músicas da época deles. Bee gees, Beatles, Roberto Carlos, Frenéticas, Abba. E sob os spots intermitentes que vinham do palco, assisti pela primeira vez a minha mãe - sempre tão séria e workaholic - dançando como se tivesse 17.


Estavam no meio do salão ela e a grande amiga da época da faculdade que, não por coincidência tem o meu nome. Logo se juntaram mais e mais pessoas e eu também, mesmo que deslocada, resolvi entrar naquela rodinha de gente dançando de qualquer jeito. Até porque era como a própria música dizia “dance bem, dance mal, dance sem parar...”


Não sei quanto tempo a gente ficou ali, mas entre uma música e outra, para minha sorte, apareceu um fotógrafo que registrou o momento mágico.